2010 começa viajando... (parte I de II)
* Leia ouvindo:
Minhas atividades de 2010 começaram com uma formação. Mas não a que estou acostumado a aplicar. Mas sim, o contrário. Dessa vez não fui o capacitador. Fui o "capacitado".
Visitei junto com o gestor do programa AcessaSP, Akira Shigemore, 16 cidades entre os dias 12 e 15 de janeiro. Não foram simples visitas. Olhando para trás vejo que foi um treinamento intensivo em "o que é o programa AcessaSP no interior e qual o seu impacto na população".
Em cada cidade que entramos procurei viver de forma muito intensa cada minuto ali. Afinal de contas, não tínhamos muito tempo dado o tamnho de nosso "tour scheduling". Isso somado ao fascínio que tenho por cidades legitimamente caipiras e seus costumes me fizeram ter uma verdadeira experiência.
Começamos em em Anhembi-Pirambóia, onde está a monitora Madalena que é um grande destaque no programa. Pude ver como foi montado ali o projeto GESAC e como a prefeitura local está pensando em coloca-lo para funcionar. Também pude ver a real dimensão do trabalho da Madalena que é praticamente a responsável pela inclusão digital na cidade.
Em seguida fomos para São Manuel. Cidade bem pequena próxima a Botucatu. Foi um momento muito importante pra mim porque faz pouco mais de 60 dias que os monitores passaram pelo Módulo I de capacitação. Ou seja: pude conferir os resultados praticamente "frescos" da passagem deles pela capacitação. Felizmente não me decepcionei. O Acessa tinha começado a funcionar naquele dia mesmo e estava lotado. Eles me disseram que já vinham fazendo os cadastros antes do posto abrir e até "remixaram" o banner do Acessa para chamar a atenção da população da cidade. Muito criativo e deu muito certo.
Saindo de lá fomos para Borebi. Lá encontramos um monitor novo, o Sérgio, com uma história interessante. Ele é funcionário público desde 1993 e estava afastado desde 2006 por conta de um princípio de AVC. Trabalhava na limpeza pública. Ao voltar ganhou a oportunidade de ir para o Acessa, já que sua vaga tinha sido ocupada por outra pessoa. Fomos recebidos pela primeira dama da cidade no simpático gabinete do prefeito (que estava ausente). Todo adornado por símbolos do Corinthians fomos honrados comuma espetacular strudel salgada com muito creme de leite.
A última cidade do primeiro dia foi Agudos. Tinha muita curiosidade em conhecer esse posto. Afinal de contas, ali era o posto que tinha o tal "sofá vermelho e a fonte". Logo na entrada vi a divdertida Salma que é monitora do posto juntamente com a Carol. Além de poder ver o famoso sofá e a fonte, percebi que o posto estava todo decorado com avisos sobre consequencias ao desacato a funcionários públicos e orientações sobre como se vestir para poder frequentar o posto. Comparando com outros postos que visitei antes e depois, pensei no quanto o monitor pode imprimir suas características pessoais no posto. E como isso impacta no usuário...
Começamos o segundo dia tentando visitar o posto de Bauru. No dia anterior, conversei com a monitora Juliana sobre a possibilidade de ir até lá. Infelizmente chegamos muito cedo e encontramos o posto fechado.
Partimos então para a pequena Lucianópolis, mais conhecida na região como "graia", por conta do som que os pássaros fazem. Lá conversamos com o monitor e fomos recebidos pelo vice-prefeito e a primeira dama, além do responsável institucional. Conversei um bom tempo com o monitor sobre como ele via o papel dele em uma cidade tão pequena e que não tinha uma lan house sequer. Ele também falou sobre como é viver em um lugar onde 100% das pessoas te conhecem (e bem) e qual foi a avaliação dele sobre a última capacitação que ele tinha participado.
Depois fomos para Duartina, um dos postos mais antigos do programa e um dos primeiros a serem instalados no interior do estado. Praticamente um local "testemunha da história", já que os equipamentos, a infra e o monitor são os mesmos desde 2002. Ao contrário do que pode parecer, o posto estava incrivelmente limpo e bem conservado. E cheio. Resultado do trabalho do monitor que, mesmo podendo desistir do Acessa para trabalhar em outro setor da prefeitura, se mantém lá desenvolvendo projetos e sendo criativo, já que usa o posto do GESAC como uma extensão do Acessa.
Antes do almoço fomos para o distrito de Jafa em Garça. O posto está funcionando desde o meio do ano passado e os monitores ainda não foram para capacitção. Toda a informação que eles tem para operar o posto foram passadas por outra pessoa que participou de uma capacitação e passou as informações para eles. E os dois estão fazendo um trabalho excelente mantendo o posto com altas taxas de ocupação e fazendo valer as regras do programa. Quando estava descendo do carro, ouvi um usuário dizer para um colega que estava indo em casa buscar o rg porque sem ele "não pode acessar". Fora que eles também já começaram a pensar seriamente em desenvolver projetos. Quando falamos para os representantes da prefeitura que foram nos receber que eles precisavam passar por capacitação, pensei em dizer que o convite era para eles irem para São Paulo ensinar como se toca um posto bem, mesmo sem nunca ter passado por nenhum módulo.
Terminamos o dia em Alvinândia, região de Marília. O lugar onde está instalado o Acessa é uma espécie de "setor de inclusão digital"da cidade. No mesmo espaço funcionam 3 programas de inclusão digital diferentes: um da prefeitura, outro do governo federal e o Acessa. São quase 30 computadores. Perguntei ao monitor como era a "convivência" e foi muito interessante perceber como se gerencia essa situação. O local acaba funcionando praticamente de manhã até a noite com várias atividades diferentes. No Acessa, a navegação é livre. Os outros computadores são aproveitados para cursos. A Sília da Rede de Projetos conversou muito com ele e com a secretária da educação da cidade sobre a possibilidade de desenvolvimento de projetos e parece que vai sair alguma coisa muito boa daí.
(fim do volume 1)












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